Arquivos da Categoria: Pará – Maranhão

Baía de Sepetiba recebe caravanas

Para receber as Caravanas de Minas, Maranhão e Pará, a comunidade do bairro de Sepetiba, na Zona Oeste da cidade do Rio, realizou uma confraternização durante I Encontro dos Atingidos pela Vale. Com o microfone aberto, entre músicas e “comes e bebes”, os presentes fizeram relatos. Cerca de 150 pessoas participaram da atividade do dia 12/4.

Os participantes, que moram em regiões e países de culturas tão diversas, mostraram que sofrem com o mesmo modelo de desenvolvimento. Por meio de seus depoimentos, deixaram claro que a nova forma de produção do sistema capitalista tem globalizado, mais do que tudo, injustiça ambiental e desrespeito aos direitos humanos.

Um integrante da Caravana Norte contou que a atividade econômica de sua região está prejudicada depois que o projeto da Vale chamado “Onça Puma”, em Ourilândia do Norte, no Pará. Como produtor de leite, já não consegue mais obter renda para sua família. “Antes o principal laticínio recebia dos produtores locais 15 mil litros por dia, hoje são apenas 5 mil. Muitos sem ver saída acabam vendendo suas casas, mas para onde eles vão? Com que vão trabalhar?”, questionou.

Já uma jovem de 26 anos que integrou a Caravana de Minas disse se sentir aflita. Ela conta que num primeiro momento ficou desesperada, mas percebeu que sua situação não era um caso isolado, entendendo que poderia fazer algo para mudar unindo-se a pessoas que passam por situações semelhantes. Ela pertence a uma das 47 famílias atingidas pela Vale numa comunidade centenária de Antônio Maria Coelho, no Mato Grosso do Sul.

Durante a recepção das Caravanas, o Comitê Baía de Sepetiba pede Socorro apresentou um pouco da realidade da região do entorno da Baía de Sepetiba por meio dos spots de rádio. A produção denuncia a Companhia Siderúrgica do Atlântico, uma parceria da Vale com a alemã ThyssenKrupp.

Escute a produção “Qual Baía de Sepetiba você quer?”, feita pelo Comitê com a colaboração da Agência Pulsar Brasil e do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS).

Spot 1_ Geral

Spot 2_ Saúde

Spot 3 _ Trabalho

Spot 4_ Meio Ambiente

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As sementinhas da Caravana Norte

por Padre Dario Bossi – Justiça nos Trilhos

A sapucaia é uma árvore cuja castanha, quando estiver madura, destampa e deixa cair no chão suas sementes, prontas para germinar.

Debaixo de um pé de sapucaia a caravana internacional dos atingidos pela Vale encontra o povo do ‘Bairro da Paz’, uma das muitas ocupações de Marabá-PA. Milhares de famílias instaladas numa desordem total: chegaram em busca de trabalho, na ‘cidade do desenvolvimento industrial’, mas encontraram poucas perspectivas. Como a sapucaia, ao longo da conversa tira-se a tampa do silêncio e da adaptação resignada: as pessoas narram suas histórias e assim jogam pequenas sementes para um futuro diferente.

Na sombra dessa árvore acompanhamos as pessoas que passam, a pé ou de bicicleta. Somos atravessados pelo povo que anda e percebemos a densidade de vida no bairro: 2.246 famílias, muitas delas vivendo ainda em barracos e caminhando por ruas cheias de barro.

O ciclo de mineração e siderurgia desestrutura a base produtiva do povo e expulsa as pessoas de seu chão. O mínimo, nesses casos, seria oferecer melhores condições de existência e moradia a quem de repente fica arrancado de sua terra. Ao contrário: desenraizadas e deslocadas, as pessoas encontram-se amassadas em áreas violentas, sem acesso à educação e com baixa qualidade de vida. Ao seu redor, cada vez mais gente chega em busca da sorte (dizem que nos próximos anos Marabá aumentará do 50%!).

Aumenta a prostituição, diminui o emprego conforme as etapas do projeto (muitos trabalhadores para construir o empreendimento, bem menos quando começa a produção… e os desempregados ficam na região).

Atingidos pela Vale: percebe-se que são bem mais daquilo que aparece!

Mais uma vez tecem-se laços de partilha entre a caravana e o povo: cada membro em visita tira da bagagem de sua experiência comparações, conselhos, propostas.

Fernando, do Moçambique, comenta que na sua terra as casas que a Vale construiu para os desalojados por mineração são ainda piores! Feitas em três dias (!) por pedreiros capacitados em 45 dias (!).

Luís, advogado da causa popular no Peru, incentiva o povo a não desanimar: nenhum despejo pode tirar quem ocupou a terra sem violência, em boa fé e por necessidade.

Logo antes, pela manhã, o seminário entre a caravana e as lideranças locais tinha sido extremamente rico. Os participantes tinham descrito vários tipos de conflitos: a luta pela terra e a expulsão das famílias camponesas, o impacto ambiental da mineração, o inchaço das cidades ‘em desenvolvimento’, a discriminação contra os trabalhadores lesionados e ‘inúteis’, as próprias artimanhas da Vale em cooptar lideranças e aliciar o povo.

Amadurecem estratégias e selam-se alianças: fruto de um cultivo de rede que vem de longe, o movimento parece cada vez mais integrado.

Há quem sente necessárias ações diretas de denúncia e tem quem já trabalha na formação popular e na conscientização a respeito do racismo ambiental, promovendo seminários e pesquisas nos povoados.

Há comunidades que já buscam a integração através de Fórum locais ou redes de articulação regional, primeiro e segundo passo rumo ao processo de consulta popular que os peruanos nos descreveram.

Sente-se o desafio de recolher as informações e colocá-las a disposição de todos/as em espaços de acesso comum (sites ou redes de comunicação).

Permanece, enfim, a relação importante mas às vezes inconsistente com o Ministério Público, interlocutor essencial para a fiscalização das empresas e, em casos desesperados, para as necessárias ações indenizatórias, individuais e coletivas.

A sapucaia ‘destampou’ e as sementinhas estão jogadas no chão. A caravana avança mais um passo, em busca de novas terras e cultivos.

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Movimentos por todos os lados

Café da manhã com a comunidade Burajuba, em Barcarena (PA) (quarta-feira, 07 de abril)

Há povos que se movem pela sobrevivência, empresas que se deslocam pelo lucro. Nós, da caravana dos atingidos pela Vale, percorremos a região norte do Brasil movidos pelo choro do povo e da natureza.

Em Barcarena -Vila do Conde, região industrial e grande porto de exportação do Pará – encontramos várias comunidades e pessoas chorando. A empresa Vale está envolvida em diversos empreendimentos na região: Alunorte, Albrás, Pará Pigmentos e um novo projeto de termelétrica.

As comunidades lamentam  sua precariedade em situações de despejo, extrema poluição e  falta de perspectivas. Companheiros do Chile, Peru, Canadá, Ceará, Rio de Janeiro, Pará e Maranhão abraçam essas pessoas, demonstram solidariedade. Os moçambicanos comentaram: “Em nossa região, pelos despejos que a Vale está provocando, o povo está começando a odiar os brasileiros. Mas, vendo estas lágrimas, entendemos que é a empresa quem merece nosso repúdio!”.

Na Vila dos Cabanos, todos percebem que a luta dos antepassados não foi em vão. Essa luta continua firme e precisa de muita articulação. “Eu sou um matuto do campo”, afirma Alexandre, representante da comunidade indígena Anacé, em Caucaia (CE). “Choro quando escuto camponeses querendo deixar suas terras. Morre nossa alma e nossa história. Essas firmas estão arrancando nossas raízes. Estou com medo que isso aconteça comigo lá em Pecém: estão levantando ao nosso redor uma siderúrgica, uma termelétrica e uma refinaria!”, contou.

Mas nos olhos do povo também há muito brilho de esperança e força de organização. A população local fez um planejamento para os próximos três anos: animar a rede de 250 associações que se articulam no enfrentamento dos desmandos dessas empresas. Também é objetivo dar continuidade à construção do Fórum de Políticas Públicas de Barcarena, que reúne representantes populares, da administração pública e das empresas.

Luís, advogado peruano, sonha a olhos abertos: em vários povoados, lá no Peru, houve processos de consulta popular. “Assim como o povo escolhe seus representantes políticos, pode escolher também seu futuro. 90% das pessoas por lá defenderam a agricultura familiar para suas regiões”, contou.

Cabem algumas perguntas: De que maneira os povos atingidos ou ameaçados pela cadeia minero-siderúrgica podem participar da construção do futuro em suas terras? Será que um dia vão ser protagonistas dos planos de investimentos em seus territórios? Os participantes da Caravana deixaram Barcarena com essas questões na cabeça.

A viagem continua rumo a Marabá.  O debate no ônibus se esquenta entre os 30 membros da Caravana: dialogamos sobre o Fundo de Desenvolvimento, a Análise de Equidade Ambiental, sobre as luta paralelas em Moçambique e no Canadá, sobre formação sindical, entre outros assuntos. A caminhada é longa, mas a Caravana vai fazendo fermentar modelos e perspectivas diferentes na busca de um outro modelo de desenvolvimento.

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Começa a Caravana pelo Sistema Norte

Com  grande ânimo e disposição  se iniciou ontem (5/04) a Caravana pelo Sistema Norte, que inclui cidades do Pará e Maranhão. No final da tarde, os participantes saíram de Belém com destino a Barcarena (PA), em uma viagem de pouco mais de uma hora de balsa, seguida de pequeno trecho rodoviário. O grupo é composto por representantes de sindicatos, movimentos sociais, moradores de comunidades atingidas e ativistas políticos de diversos países e regiões do Brasil.

A programação da manhã de hoje (06/04) começou com apresentações de representantes das comunidades da região.  Durante a tarde, houve visitas às comunidades do Acuí e da Luz Divina, ainda em Barcarena. O tom das falas dos participantes mostrou o desrespeito constante da Vale e de suas subsidiárias aos direitos da população local sobre suas terras e modos de vida.Vila do Conde

No caso da Vila do Conde, a instalação de vários grandes empreendimentos – sendo os principais a ALUNORTE e a ALBRAS – tem poluído praias e colocado em risco de degradação diversos  recursos naturais.  Com isso,  atividades extrativistas tradicionais na região estão impossibilitadas. A população local sofre com a dominação capitalista,  que traz miséria e desumanidade à região que encontra-se  sob os desmandos da Vale.

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Pará e Maranhão organizam caravana

Faz parte do I Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale a vinda de caravanas de áreas amplamente prejudicadas pela atução da mineradora. As Caravanas vão reunir  participantes do Pará, Maranhão, Minas Gerais, Ceará, Rio de Janeiro e também de países como  Chile, Peru, Moçambique e Canadá.

Representantes de  regiões do Brasil e do mundo vão se encontrar na região Norte do Brasil para denunciar os impactos sócio-ambientais provocados pela empresa  sobre comunidades, trabalhadores e territórios. De 6 a 11 de abril acontecerá a mobilização da Caravana dos Povos  no Pará e Maranhão.

Ao mesmo tempo,  outra caravana em Minas Gerais pretende articular comunidades afetadas pelas operações do sistema sul da Vale. As caravanas, do Norte/Nordente e a de Minas, seguem para o  Rio de Janeiro, onde já começam as atividades do Encontro no 12 de abril de 2010.

Confira a programação da Caravana Norte:

6 de Abril (Terça-feira) – Barcarena (PA)

A poluição industrial e as doenças no trabalho

Lançamento da Caravana Norte e encontro com as comunidades, associações e trabalhadores da região

Horário: 9 h

Local: Bosquinho, Vila do Conde

À tarde: visita à comunidade do Acuí (zona rural) e comunidade do Luz Divina (área urbana)

8 de Abril (Quinta-feira) – Marabá

Os conflitos pela terra, o impacto dos projetos de mineração e os conflitos trabalhistas

Encontro com as comunidades, associações e trabalhadores da região de Marabá, Parauapebas, Canaã, Ourilândia

Horário: 8h30

Local: Casa de Formação Cabanagem, Marabá

À tarde: visita a ocupações urbanas e um Projeto de Assentamento rural: aprofundando o conflito pela terra.

10 de Abril (Sábado) – Açailândia

A cadeia minero-siderúrgica e seu impacto na região; a monocultura de eucalipto; o contraste lucro/pobreza

Encontro com as comunidades, associações e trabalhadores da região de Açailândia, Buriticupu, Bom Jesus, Imperatriz

Horário: 9 h

Local: Câmara dos Vereadores

Visita à comunidade de Piquiá de Baixo, em conflito com as siderúrgicas

Visita à comunidade de Califórnia, em conflito com as carvoarias da Vale

Apresentação da peça teatral “Ao pó voltaremos”

11 de Abril (Domingo) – Açailândia

Encontro com as comunidades urbanas de Açailândia

Saída para o Rio de Janeiro

Fonte: Justiça nos Trilhos

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