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Nota da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale frente ao marco de um ano do maior crime socioambiental do país

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Em 05 de novembro de 2015 a vida de milhares de pessoas e comunidades foi profundamente violentada. A lama de minério da empresa Samarco (joint venture da Vale S.A. e BHP Billiton) destruiu casas, memórias, sonhos, modos de vida, relações sociais, causando o maior desastre socioambiental do Brasil. A lama da cobiça do lucro desenfreado ceifou a vida de 19 pessoas e modificou para sempre a realidade de milhares de pessoas que vivem de Mariana (MG) a Regência (ES).

Após um ano do crime da Samarco/Vale/BHP a situação permanece crítica. Pouco foi feito para atender os atingidos e atingidas e para compensar ou mitigar os incalculáveis impactos ambientais ao longo da Bacia do Rio Doce. A captação e a qualidade da água ainda continuam sendo um problema para os mais de 35 municípios atingidos. Órgãos públicos não têm sido capazes de fazer um monitoramento adequado de toda a água e lama em pontos diferentes da bacia e com regularidade, disponibilizando publicamente laudos efetivos sobre as condições da água e as possibilidades de contaminação. Deste modo, comunidades inteiras, pessoas que viviam da pesca e da agricultura perderam seu modo principal de reprodução econômica e social.

Agricultores familiares, quilombolas e indígenas ainda lutam para terem seus direitos reconhecidos e garantidos. Na maior parte dos distritos atingidos da Bacia do Rio Doce, a presença da Samarco é mais forte do que a de órgãos públicos, como Prefeituras Municipais, Defensoria e Ministério Públicos. Deste modo, a empresa encontra espaço para dividir comunidades e fazer valer as suas próprias leis. A própria empresa autora da tragédia é hoje responsável por definir quem serão as pessoas, atingidos e atingidas, que terão direito às indenizações.

O acordo assinado entre as empresas Samarco, Vale e BHP, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo e governo federal foi fruto da força das empresas e do interesse do Estado em acelerar supostas medidas de reparação e esconder suas responsabilidades. A influência política das empresas e a cumplicidade do Estado tentaram afirmar um acordo minimalista de mitigação dos impactos, que ignorou a participação das vítimas desse grande desastre e seus maiores interessados. O Superior Tribunal de Justiça suspendeu esse acordo, mas a Samarco permanece tendo poder de definição das medidas a serem implementadas e quais pessoas serão contempladas por elas. Relevante destacar que em outubro deste ano o Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia requerendo a instauração de ação penal contra 22 pessoas e quatro empresas (Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR[1]) por diversos crimes[2] relacionados ao rompimento da barragem. Conforme a denúncia dos Procuradores da República da “Força Tarefa Rio Doce”,  as empresas devem ser responsabilizadas criminalmente já que a barragem apresentava sinais claros de que poderia se romper.

Neste cenário, a empresa Vale S.A. vem buscando de todas as formas se isentar da responsabilidade com a tragédia. A empresa, além de acionista da Samarco, conjuntamente com a BHP, possuí controle operativo da Samarco, o que lhe coloca em um papel de destaque nas próprias decisões internas da empresa em relação a sua estratégia de gestão e a continuidade de operação das barragens. A Vale ainda é acusada pela Polícia Federal de alterar, diversas vezes, seus relatórios entregues ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) com o objetivo de declarar uma quantidade menor de rejeitos lançados na barragem de Fundão. Segundo investigação, o total de rejeitos líquidos jogados na barragem de Fundão, em 2014, passou de 18 milhões de metros cúbicos, sendo a Vale responsável por 28% desse total. Entretanto, a mesma declarou na época que era responsável por somente 5% do total de rejeitos depositados.

Com todo esse esforço de ocultação de responsabilidade a Vale S.A. busca deslocar sua imagem do maior crime socioambiental do país. Ao longo dos últimos anos, as críticas sobre os impactos socioambientais provocados pela mineração conquistaram um importante espaço no debate político internacional. Neste sentido, em 2012 a Vale recebeu o prêmio de pior corporação do mundo como reconhecimento das suas diversas práticas violadoras de direitos humanos[3].

Inúmeros fatos e dados apresentados pela sociedade civil em diversos países ajudaram a consolidar a constatação de que não há mineração sem desastre. Isso, no ponto de vista das empresas, passou a representar um risco não apenas à sua reputação e aos seus negócios, mas à própria sobrevivência do setor de mineração como um todo. Como forma de antecipação a esse risco, a Vale, assim como as principais empresas do setor, vem se esforçando para transmitir à opinião pública a imagem de empresa que respeita o meio ambiente e as comunidades atingidas, dando a essa postura o nome de estratégia de sustentabilidade e responsabilidade social.

Entretanto, no próprio mundo corporativo, as reações têm sido firmes. Os escritórios de advocacia Bronstein, Gewitz & Grossman, Bernstein Liebhard e Rosen Law Firm propuseram ações coletivas contra a mineradora Vale. Nos três casos são alegadas possíveis violações da lei do mercado de capital dos Estados Unidos pelo fato de a empresa ter divulgado informações falsas sobre seus negócios e pedem o ressarcimento dos prejuízos dos acionistas. A BM&F Bovespa anunciou, em 26 de novembro de 2015, que a Vale, empresa que tem o maior peso na composição da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) que está em vigor, ficaria fora da nova lista de empresas sustentáveis após presença por cinco anos consecutivos. Preocupadas, a Vale, a BHP Billiton e a Samarco, responsáveis pela tragédia, estão mais concentradas em contornar os efeitos do desastre sobre as suas imagens públicas do que com o enfrentamento dos problemas que causaram sobre o ambiente e as populações atingidas.

Em escala mundial, a empresa Vale – assim como boa parte de suas concorrentes – tem conseguido enfrentar a diminuição progressiva do preço do minério de ferro sem perdas. Isso está acontecendo graças à redução dos custos de gestão dos processos em operação e dos projetos em via de instalação. Assim, a crise do preço de minério vem sendo compensada às custas das comunidades, do meio ambiente e dos trabalhadores, em termos de menor segurança, menor qualidade de vida e de trabalho, terceirização e menor controle das responsabilidades empresariais.

Esta estratégia está integralmente ligada às causas que levaram ao rompimento da barragem de Fundão. Ao optarem pelo modelo de barragem mais precário (no lugar de rochas e britas, foi usado o próprio rejeito como sustentação), atrelado a intensificação do processo de extração, assim, criando a necessidade de construção de mega barragens, e rejeitando um Plano de Ações Emergencial mais detalhado por considerarem o mesmo mais caro, há evidências claras de que as empresas sabiam do perigo de um rompimento e não tomaram as providências necessárias para modificar a probabilidade do desastre.

Mesmo diante da magnitude do crime da Samarco/Vale/BHP o Estado brasileiro segue conivente com o modus operandi das empresas mineradoras. Ao longo deste ano aprovou a barragem da Vale, “Maravilhas III”, em Minas Gerais, com capacidade três vezes maior do que a de Fundão. Além disso, houve a aprovação em Minas Gerais do Projeto de Lei nº 2946/2015, que alterou radicalmente o sistema e a política ambiental desse estado para “destravar” e agilizar licenciamentos ambientais. Ressalta-se ainda a tentativa constante do governo federal de aprovar o Novo Código Mineral do país, que acirrará ainda mais as impactos ambientais, sociais e as disputas por recursos como terra, água e energia entre as empresas e as populações.

Ainda quanto às reformas no campo normativo, convém destacar também o perigo representado pelo Projeto de Lei 1.610/1996, que pretende regulamentar a mineração em terras indígenas e pela Proposta de Emenda à Constituição 215, que busca transferir a decisão final da demarcação de terras indígenas do Executivo para o Legislativo e proíbe a ampliação de terras já delimitadas, intensificando os conflitos.

Todo esse cenário está ligado a um Estado que se mostra incapaz de garantir a segurança e estabilidade dos empreendimentos e de suas barragens. A estratégia de intensificação da extração mineral no país vem atrelada à constante precarização dos órgãos estatais reguladores. Deste modo, há a possibilidade concreta de que novos casos como o crime da Bacia do Rio Doce ocorram em outros lugares do país.

Após um ano da tragédia, a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A. reafirma que o desastre da Samarco/Vale/BHP não pode ser entendido como um caso isolado e sim mais uma tragédia do setor da mineração. Ao longo dos anos, temos denunciado muitas tragédias provocadas pela mineração da Vale S.A. sobre a vida de pessoas, comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, camponesas e de populações urbanas empobrecidas. Em diferentes partes do Brasil e do mundo, de Mariana (MG) a Tete (Moçambique), de Santa Cruz (Rio de Janeiro) a Piquiá (Açailândia/MA), de Perak (Malásia) a Sudbury (Canadá), de Canaã dos Carajás (PA) a Piura (Peru), as semelhanças entre narrativas sobre os impactos são o testemunho da insustentabilidade da Vale S.A. e também de todo o setor da mineração.

No marco de um ano do crime, membros da Articulação Internacional participaram de diversas atividades ao longo do Rio Doce. Partindo de Regência (ES) no dia 31 de outubro de 2016 até chegar em Bento Rodrigues no dia 05 de novembro, acompanhamos uma Caravana que juntou pessoas do Brasil e do mundo para, no caminho inverso da lama, sentir de perto os estragos causados pelo desastre criminoso. Os objetivos da participação de membros da  Articulação nessa caravana foram os de contribuir ativamente com denúncias de violações de direitos, ampliar as articulações em redes cosmopolíticas de luta antimineração, desvelar histórias mal contadas e camufladas pela empresa, e compreender mais profundamente os mecanismos de controle e gestão da crítica social implementados pela Samarco e suas parceiras no intuito de frear e conter a organização popular para reivindicação de direitos violadas recorrentemente, mesmo após 01 ano do ocorrido. Estiveram presentes pessoas de mais de 15 estados do Brasil, além de parceiros e atingidos de outros países da América Latina e também da América do Norte.

Para, nós, da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale é fundamental que:

(1) a Justiça Federal receba prontamente a denúncia apresentada pelo MPF e promova a ação penal de forma célere para que ao final sejam as pessoas físicas e jurídicas acusadas pelo MPF exemplarmente condenadas pelos crimes cometidos;

(2) a definição sobre quem foi atingido pelo crime e sobre a intensidade dos danos a serem reparados não fique a cargo das empresas tidas como responsáveis pela tragédia;

(3) a legislação nacional seja aprimorada a fim de que sejam reconhecidos os direitos dos atingidos e atingidas por projetos de mineração e barragens;

(4) o Estado brasileiro promova um novo modelo extrativo, com o protagonismo de comunidades e trabalhadores na definição dos ritmos, taxas e locais de mineração;

(5) seja reconhecido e definitivamente interrompido o modus operandi de violações sistemáticas de direitos comumente aplicado pela Vale e que também está presente no crime da Samarco/Vale/BHP;

(6) sejam tomadas medidas para evitar que outras Marianas aconteçam às escondidas ou “gota-a-gota”, nas diversas regiões do mundo onde a empresa Vale  opera diretamente ou através de suas coligadas ou joint-ventures;

(7) não se permita que o interesse minerário se sobreponha a interesses verdadeiramente sociais como a reforma agrária, os direitos ao acesso à terra, à saúde, à moradia digna, de ir e vir, entre outros.

(8) sejam respeitados os direitos e aplicadas as normas previstas na Convenção nº169 da OIT, ratificada pelo Brasil há mais de 10 anos, em especial quanto à consulta para averiguação sobre o consentimento livre, prévio e informado. Isto para que populações atingidas por todo e qualquer empreendimento, inclusive minerário, possam intervir diretamente no projeto, inclusive na sua aprovação. Entendemos que o mecanismo de audiências públicas previsto na legislação ambiental, por si só, não se faz suficiente diante da maquiagem democrática plasmada nestas arenas como estratégia do capital econômico e do Estado para o represamento de diálogos críticos e combativos pelas populações atingidas;

(9) que o Estado brasileiro decrete a caducidade de todas as concessões minerárias e revogue todas as licenças ambientais concedidas à Samarco Mineração S.A. a fim de que ela jamais volte a operar no território nacional, uma vez já ter demonstrado não possuir condições mínimas para operar com segurança e tampouco para assumir a responsabilidade e remediar eficazmente os danos causados pelo trágico evento de 05 de novembro de 2015.

Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A.

06 de novembro de 2016

[1]A empresa de consultoria VOGBR Recursos Hídricos e Geotecnia LTDA foi também denunciada, acusada de apresentação de laudo ambiental falso.

[2]O MPF requer a condenação das pessoas físicas e jurídicas pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, lesão corporal, inundação, desabamento/desmoronamento e uma série de outros crimes previstos na legislação ambiental.

[3]Prêmio “Public Eyes Award 2012” (http://www.publiceye.ch/en/ranking/).

Foto: ROGÉRIO ALVES TV SENADO

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Ata da audiência que homologou o acordo do Samarco-Vale-BHP

No dia 05 de maio de 2016, emblematicamente 6 meses após o rompimento da barragem de rejeitos do Fundão, foi homologado o acordo entre Samarco/Vale/BHP, sem a participação dos atingidos e atingidas pelo ocorrido.

 

Segue copia da Ata da audiência que homologou o acordo.

Acordão_Samarco_Vale_Estados

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Report of the International Articulation of People Affected by Vale regarding its actions organized on April 25, 2016

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On April 25 eight shareholders with critical perspective who represent organizations that belong to the International Articulation of People Affected by Vale, made their presence felt to company shareholders gathered for Vale’s Annual General Meeting. The main objective for participating in such a cold space where positions are predetermined was to take a stand. It was a way to cause embarrassment, to force the company to accept responsibility for the damages they have caused and to demand respect. Since the Vale Directors seem incapable of even hearing critical perspectives, we have concluded that criticisms really bother them, especially in a space that they dominate so completely.

A first confrontation at the meeting was the attempt of the Directors to limit the right to speak, alleging that  issues related to socio-environmental problems of the company were irrelevant to the agenda of the Vale AGM. They went on to  announce that interventions during plenary, even those related to reading votes submitted in writing, were limited to three minutes. In response, members of the Articulation indicated firmly their disagreement,  questioning what the Directors came to the assembly to do if not to listen to the shareholders’ concerns, the annual assembly of shareholders being designed exactly for this purpose.

Moreover, they argued that shareholder demands to discuss social and environmental responsibility issues should be treated as normal, since social and environmental issues relate directly to the economic and financial performance issues that were  on the meeting agenda. Still, a bureaucratic and authoritarian environment prevailed, with attempts to curtail the interventions of the shareholders. When the votes of critical shareholders were read, the microphones were cut off after three minutes; the only option left was to take courage and continue with the arguments to justify the vote in a loud voice!

On the format and institutional norms of the Assembly there was a request for the sixth consecutive year for the preparation of detailed minutes, with the written votes attached in their entirety, rather than the summary minutes, which is the current practice. The company’s lack of transparency, the abysmal flow of information between the company and its shareholders and the complete lack of interest in best practices in company governance are clear.

The criticisms raised were based largely on the omissions in the report from Vale management. No mention was made of the significant financial, legal and environmental risks in projects that operate with irregularities in the environmental licensing requirements, There is strong evidence of human rights violations reported in the several lawsuits that have been filed. Alongside the company’s projection of what shareholder were concerned about, namely company image and reputation,  the company’s credibility in the market and the profitability of the business, there were critical reports of emblematic cases, such as the breach of the Samarco tailings dam (Vale and BHP Billiton).  This highlighted the absurdity of the company trying to restart its operations in Mariana before completing and disseminating results of the investigation into what caused the breach and before formalizing a plan to repair the environmental damage. Moreover. Vale is also embarking on three more major  dams  (using the same outdated technology of the Fundão dam that collapsed in Mariana) in an important area for human water supply in the metropolitan region of Belo Horizonte. Other cases highlighted by the critical  shareholders were the Hydroelectric Complex of Belo Monte, with its very serious environmental consequences and corruption schemes, the illegality of the operation of Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), violations in the Logistical Corridor of Nacala (Mozambique) and the intensification of conflicts in the states of Maranhão and Pará, due to the development of the S11D project and the doubling of the Carajas railroad.

The critics also pointed to the lack of investment in research and development and application of new technologies (more expensive, but with less negative impact). They highlighted the need for a complete overhaul of Vale’s  corporate social responsibility policy. Other company strategies were subjected to criticism, among them the establishment of joint ventures and combining increased production with cost reductions, which greatly enhances the risk of accidents and technological disasters, as occurred with the Fundão tailings dam.

The only point raised by the shareholders that drew any response from the Vale Directors was the breach of the Samarco tailings dam (Vale and BHP Billiton) in Mariana, which caused social and environmental damages along the  Doce River Basin and coastal area of Espirito Santo and Bahia states. The company said it supported Samarco in various actions such as the purchase of drinking water. We consider this insignificant given the magnitude of the destruction caused to the Doce River Basin. With regard to  the causes of the breach, the Vale Directors  said they were conducting their own investigation to be completed in June/July. When the critical shareholders asked where the research results would be made available, the response they received was (gasp!) “We do not know if we will publish”. This shows clearly that the company does not consider that it owes any response to society for the environmental disaster.

The salary proposals for Administrators and Audit Committee members were also targeted for dissenting votes from the critical shareholders.  They considered these proposals absolutely inconsistent with the company’s financial situation: “It is shameful that a Vale director is receiving 848,000 reais per month (clear) while lives, communities and entire cities have been and continue to be destroyed and annihilated by Vale activities”. The objections from the critical shareholders became even more  weighty  when, at the same time, mine workers in Vale’s operation in Ouro Preto/MG, were on an involuntary three month lay-off.  During this time, they were receiving only half of their salary which is currently about 1,400.00 reais/month.

A letter of protest to the mining companies was tabled, signed by 34 organizations from the12 countries that participated in  the VI Meeting of OCMAL (Observatory of Mining Conflicts in Latin America[1].  The letter demands that no new dam be licensed in Brazil until it has the results of the causes of the tailing dam breach and carefully assesses new premises and technical standards. Moreover, society must be consulted before any decision is taken about new tailings dams.

Finally, a motion was made for the collective resignation of the people who held the positions of Executive Officers, the Board of Directors and the Council of Auditors  at the time of the breach of the Fundão dam. Those presiding over the AGM  refused to entertain the motion, claiming this issue was not on the agenda. It became necessary to take this up after the Assembly with the person responsible for the relationship with the company’s investors in order to find a way to deal with the motion.

Parallel to the AGM, the Articulation of People Affected by Vale  organized activities in the center of Rio de Janeiro.  There was a “teach-in” addressing the impacts of mining and human rights violations of Vale in Brazil and worldwide. The Largo da Carioca square was the scene of cultural interventions, a theatrical performance and photo exhibition on the disaster of Mariana/Doce River Basin. The group walked to the former headquarters of the company in Graça Aranha Street, in the center of the city, where people drew graffiti and invented slogans to write on the black fences that protect the building.

Through these actions, the International Articulation of People Affected by Vale tried once again to make visible the reality of Vale’s operational practices.  They are practices of systematic disrespect for the human rights of communities, workers, Indigenous peoples, small farmers and former slave communities, both in Brazil and throughout the world.

[1] Ver em: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/noticias/mocao-de-repudio-a-novas-barragens-de-rejeitos-em-mg-e-assinada-por-34-organizacoes/

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Relato da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale referente as suas ações organizadas no dia 25 de abril de 2016

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No último 25 de abril, oito acionistas críticos,representando organizações membros da Articulação Internacional de Atingidos e Atingidas pela Vale fizeram-se presentes na Assembleia anual de acionistas da empresa. Os objetivos da participação neste espaço frio e de cartas marcadas são firmar uma posição, gerar constrangimento, responsabilizar a empresa pelos danos que causa e exigir respeito. Como os diretores da Vale não se mostraram capazes nem sequer de ouvir, conclui-se que as críticas incomodam, especialmente neste espaço completamente dominado por eles.

Um primeiro embate na assembleia foi a tentativa dos diretores da Vale de inibirem o direito de fala, alegando a irrelevância de assuntos relacionados a problemas de responsabilidade socioambiental da empresa para a pauta da assembleia, e anunciando que intervenções da plenária, mesmo por intermédio da leitura de votos por escrito, fossem limitadas a três minutos. Em resposta, os membros da Articulação disseram com firmeza não entender o que mais eles teriam para fazer que não ouvir os acionistas na Assembleia anual que existe exatamente para este fim.  Além disso, foi colocado que os pleitos de acionistas para se discutir assuntos de responsabilidade socioambiental devem ser tratados com naturalidade, pelo fato de se relacionarem diretamente com questões de desempenho econômico e financeiro que estavam colocados na ordem do dia da assembleia. Mesmo assim, o que predominou foi um ambiente burocrático e autoritário, com tentativas de cercear as falas dos acionistas. Na leitura dos votos dos acionistas críticos, os microfones eram cortados aos três minutos de fala; a única opção era seguir com a fundamentação dos votos com a coragem da garganta!

Sobre o formato e institucionalidade da Assembleia foi demandada, pelo sexto ano consecutivo, a elaboração da ata detalhada, com os votos escritos anexados em sua íntegra, ao invés da ata sumária que comumente é realizada. A falta de transparência da empresa, o péssimo fluxo de informações entre a companhia e seus acionistas e o desinteresse por boas práticas em sua governança são nítidos.

A base para todas as críticas apresentadas foi a omissão da empresa no Relatório de Administração. Nenhuma menção é feita aos elevados riscos financeiros, jurídicos e socioambientais de empreendimentos que atuam com irregularidades no licenciamento ambiental, inclusive com fortes evidências de violações dos direitos humanos denunciadas em diversas ações ajuizadas. Por trás do discurso do acionista preocupado com a imagem, com a reputação, com a credibilidade da empresa no mercado e com a rentabilidade dos negócios, foram relatados casos emblemáticos, como o rompimento da barragem de rejeitos da Samarco (Vale e BHP Billiton), quando se destacou os absurdos de a empresa tentar reiniciar suas operações em Mariana, antes de concluir e divulgar resultados da investigação de suas causas e formalizar um plano de reparação de danos socioambientais, e ainda implantar mais três grandes barragens de disposição hidráulica (usando a mesma tecnologia ultrapassada da barragem de Fundão, que rompeu em Mariana) em uma importante área para o abastecimento humano de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte.  Outros casos destacados pelos acionistas críticos foram o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, com suas gravíssimas consequências socioambientais e esquemas de corrupção, a ilegalidade do funcionamento da Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), as violações no Corredor Logístico de Nacala (Moçambique), o acirramento dos conflitos nos estados do Maranhão e Pará, fruto do desenvolvimento do projeto S11D e da duplicação da ferrovia Carajás, entre outros.

Foi apontada ainda a falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e na aplicação de novas tecnologias (mais caras, porém menos impactantes). Destaque recebeu a necessidade de uma completa revisão na política de responsabilidade social corporativa e, ainda bem marcadas as críticas às estratégias da empresa, dentre elas, a formação de joint ventures e o aumento de produção aliado à redução de custos, algo que muito amplia o risco de acidentes de trabalho e desastres tecnológicos, tal qual ocorreu com a barragem de Fundão.

O único ponto levantado pelos acionistas que teve alguma resposta dos diretores da Vale foi sobre o rompimento da barragem da Samarco  (Vale e BHP Billiton) em Mariana, que causou danos socioambientais ao longo da Bacia do Rio Doce até o litoral do Espírito Santo e Bahia. A empresa disse ter apoiado a Samarco em várias ações, como a compra de água potável, entre outras ações que consideramos insignificantes diante da magnitude da destruição causada à Bacia do Rio Doce. Sobre a causa, informaram que estão realizando uma investigação própria que será finalizada em junho/julho. Nesse ponto, quando os acionistas críticos perguntaram sobre onde os resultados da investigação estarão disponíveis, a resposta recebida foi (pasmem!) “não sabemos se iremos publicar”, o que demonstra que a empresa considera que não deve uma resposta à sociedade.

A proposta de remuneração dos administradores e dos membros do Conselho Fiscal foi também alvo de voto divergente por parte dos acionistas críticos, que a consideram absolutamente incoerente com a situação financeira da empresa: “É vergonhoso que apenas um de nossos diretores receba 848 mil reais por mês (sem encargos) enquanto vidas, comunidades e cidades inteiras foram e continuam sendo destruídas e aniquiladas por nossas atividades.” A objeção dos acionistas críticos tinha ainda mais razão de ser diante do fato de que, no mesmo momento, aos trabalhadores da mina de Fábrica, em Ouro Preto/MG, era imposto um lay off de três meses, período em que receberão apenas metade de seus salários que atualmente gira em torno de R$ 1.400,00.

Foi protocolada uma Nota de Repúdio às empresas mineradoras, firmada por 34 organizações de 12 países que estiveram no VI Encontro do Observatorio de Conflictos Mineros de América Latina[1], por meio da qual se exige que nenhuma nova barragem seja licenciada no Brasil até que se tenha o resultado das causas do rompimento e se avalie criteriosamente novas premissas e normas técnicas. E, ainda, que a sociedade seja efetivamente ouvida para decidir a respeito delas.

Por fim, foi apresentada uma moção pela renúncia coletiva das pessoas que ocupavam os cargos da Diretoria Executiva, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal à época do rompimento da barragem do Fundão. A mesa da Assembleia recusou-se a receber o documento, alegando não ser item da pauta. Foi necessário abordar após a Assembleia a pessoa responsável pelo relacionamento com os investidores da empresa para conseguir um protocolo.

Paralelamente a Assembleia de Acionistas, a Articulação realizou ato no centro do Rio de Janeiro, com aula pública abordando os impactos da mineração e as violações de direitos humanos da empresa Vale no Brasil e no mundo. O Largo da Carioca foi palco de intervenções culturais, performance teatral e exposição de fotos sobre o desastre de Mariana/Bacia do Rio Doce. O grupo caminhou até a antiga sede da empresa, na Rua Graça Aranha, no centro, onde grafitou, desenhou e escreveu palavras de ordem nos tapumes pretos que protegem o edifício.

Com esse conjunto de ações, a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale procurou, mais uma vez, visibilizar a prática operante da empresa Vale de desrespeito sistemático de direitos humanos de comunidades, trabalhadores, indígenas, pequenos agricultores, quilombolas e etc. no Brasil e no mundo.

[1] Ver em: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/noticias/mocao-de-repudio-a-novas-barragens-de-rejeitos-em-mg-e-assinada-por-34-organizacoes/

 

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Nota de repúdio e indignação referente a campanha: “É sempre bom olhar para todos os lados”, da empresa Samarco, veiculada em horário nobre na TV.

“É sempre bom olhar para todos os lados”. Esta é a frase que estampa a página da Samarco (leia-se: Vale e BHP Billiton) depois de ter um tempo precioso – e caro – em horário nobre na televisão brasileira para apresentar supostos e questionáveis benefícios após 102 dias do maior acidente ambiental da história do Brasil: o rompimento da barragem do Fundão, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais.

Se formos mesmo olhar para todos os lados, queremos saber por que após mais de 100 dias do acidente não houve nenhum tipo de punição para as empresas responsáveis por esse crime ambiental. Queremos saber por que a Samarco não fala sobre o indiciamento pela morte de 17 pessoas. Queremos saber se cada família que ficou desalojada recebeu 100 mil reais de indenização. Queremos saber se os bens da mineradora Samarco estão bloqueados, como determinou a Justiça de Minas Gerais. Queremos saber até onde vai chegar a lama tóxica causada pela ambição mineira até que a justiça seja feita.

Desde o rompimento da barragem, no dia 5 de novembro de 2015, temos acompanhado de perto toda a ação da empresa em relação às famílias e comunidades atingidas pelo rompimento da barragem. Como movimentos e frentes organizadas, estamos vigilantes a todos os passos desta empresa. Foi de causar revolta e dor ver em horário nobre (Quanto a Samarco gastou para veicular?) a empresa se esconder atrás de trabalhadores e trabalhadores, de pessoas atingidas pelo desastre, para justificar o que simplesmente não se justifica. Um anúncio pago não vale a vida das pessoas que morreram, não vale a dignidade de todas as famílias que perderam suas casas e nunca vai trazer de volta o Rio Doce, hoje símbolo do que realmente representa a exploração mineira em todas as suas formas.

Quando olhamos para todos os lados continuamos vendo a impunidade!

Se mantendo no rastro da arrogância e esbanjando poder que ainda tem, a empresa busca recuperar sua imagem usando trabalhadores e trabalhadoras, querendo imprimir uma imagem fictícia de compromisso e bondade que ressurge depois do crime ambiental divulgado em toda imprensa internacional.

Para nós, povo brasileiro, não há mídia positiva que tire a imagem que jamais vamos esquecer. Se a Samarco queria ficar para sempre na lembrança do público, ela conseguiu! Os mais de 600 quilômetros de lama que invadiram rios e mares, levando vida e esperança já entraram para a história. E vamos exigir justiça.Todos os dias!!

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