Artigo: “A gigante mineradora brasileira Vale: por trás da imagem de solidariedade Sul-Sul”

O artigo, da autora Judith Marshall,  foi publicado na 18ª Revista Tensões Mundiais.

“Este artigo explora a realidade por trás do brilho do sucesso da Vale, monitorando o impacto da mineradora sobre os trabalhadores e comunidades no Canadá, Moçambique e Brasil. A Vale imita as piores tendências das grandes empresas de mineração do mundo e contribui para aumentar as disparidades entre ricos e pobres bem como a degradação ambiental.”

Para ler na íntegra acessar:
A gigante mineradora brasileira Vale: por trás da imagem de solidariedade Sul-Sul

10590676_1504529776451032_6904036116519134233_n

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Sempre a Vale Moçambique…

vale reaassentados linhaferrea3

Nas regiões onde a empresa brasileira Vale Moçambique se estabelece multiplica-se o desgosto das populações. Para além do mau encaminhamento dos processos de reassentamento para dar lugar a vários empreendimentos económicos e da falta de entendimento entre as partes no que diz respeito às indeminizações, imperam as falhas de comunicação entre a firma, o Executivo e as famílias, situação em que, não raras vezes, os governos locais saem em defesa desta multinacional. As promessas de uma vida melhor a pessoas removidas das suas terras são, nalguns casos, cumpridas depois de muitas batalhas por parte dos lesados e, na pior das hipóteses, as compensações não passam de letra-morta.

Na província de Tete, por exemplo, o desentendimento entre mais de duas centenas de oleiros, a Vale Moçambique e o governo do distrito de Moatize arrasta-se há anos e está longe de ter um desfecho. O problema começou na madrugada de 10 de Janeiro de 2011, quando mais de 700 famílias reassentadas pela mineradora para dar lugar à exploração do carvão, no bairro de Cateme, no distrito de Moatize, protestaram contra as precárias condições de vida a que estavam sujeitas desde finais de 2009.

Para além das dificuldades de acesso à água, à terra e à energia, do incumprimento de promessas feitas pela firma – com o executivo local a defender a companhia – e da infiltração de água nas casas construídas pela empresa em causa no período chuvoso, um grupo de oleiros ainda reivindica compensações justas. O caso já se encontra em tribunal.

As fragilidades ou o desleixo do Governo no acompanhamento da transferência das famílias de uma zona para outra verificam-se, também, quando se trata de construção de rodovias e ferrovias a cargo do próprio Executivo. A falta de usufruto das mesmas condições anteriores ou melhores nas regiões de reassentamento tem sido um dos principais problemas que geram conflitos e centenas de cidadãos ficam na miséria em virtude da perda dos seus meios de subsistência, tais como machambas. Com a construção de uma estação ferroviária em Muezia, a cerca de 40 quilómetros da capital provincial de Nampula, tudo parecia uma dádiva de Deus para os habitantes daquele povoado.

Porém, todas as expectativas da população caíram por terra quando a China Railway Corporation Group, empresa contratada pela Vale Moçambique para proceder à reabilitação da linha férrea que liga Moatize a Nacala-a-Velha, começou a destruir parte dos produtos agrícolas e fruteiras ao longo da via, sem aviso prévio e, muito menos, garantia de indemnização. Presentemente, a mineradora brasileira sacode a água do capote e endossa a responsabilidade à companhia chinesa, deixando os populares na incerteza.

No passado dia 25 Maio, 61 famílias dos bairros de Naculue e Manquilina, algumas das quais dependentes da actividade agrícola para sobreviverem, foram afectadas pelo projecto de reabilitação da linha férrea entre Moatize, província central de Tete, e Nacala-a-Velha, em Nampula. A situação está a gerar um conflito entre a população e a empresa Vale Moçambique, entidade responsável pelas obras. A controvérsia começa quando alguns técnicos dos patronos do projecto se deslocaram àquela região, supostamente para efectuarem o registo das pessoas abrangidas, para uma eventual indemnização.

Acontece que, na altura, havia sido acordado que o processo de destruição de propriedades e bens que se encontram ao longo da ferrovia e o pagamento aos proprietários iria ser efectuado tendo em conta um perímetro de 15 metros, com a observância dos critérios previamente estabelecidos. Perante a presença das lideranças locais, os fiscais garantiram aos camponeses que os seus campos de cultivo seriam destruídos, depois da colheita dos produtos, como forma de evitar prejuízos e eventuais focos de insegurança alimentar na zona.

Além de não terem sido efectuadas as compensações, a população continua preocupada com a invasão de outras áreas, uma vez que os operadores das máquinas estão a estender a zona de actuação para um perímetro que abrange cerca de 100 metros. Caliha Nipuitho, uma anciã de aproximadamente 70 anos de idade, detentora de um bananal e um pequeno campo de produção agrícola em Naculue, faz parte das vítimas. A visada reside numa casa de construção precária que se localiza nas imediações da linha férrea. Ela foi contemplada no processo de compensações mas, até este momento, ainda não ouviu falar de qualquer plano de pagamento.

“Estou muito aflita com a situação. Eles destruíram os meus produtos agrícolas, sem qualquer garantia de indemnização e não tenho a quem recorrer”, disse, visivelmente constrangida com a situação. Habibo Manuel Chiporro também viu o seu campo de cultivo de batata-doce, mandioca e feijões totalmente destruído. Dos cajueiros, mangueiras, bananeiras e outras árvores de fruta e de sombra, só restaram troncos. Segundo o nosso interlocutor, todos os seus sonhos foram frustrados e, por isso, exige que se faça justiça.

Reacção das lideranças

As autoridades comunitárias locais estão preocupadas com a destruição dos produtos dos camponeses e pedem a quem de direito para a tomada de medidas, o mais breve possível, uma vez que algumas famílias ameaçam fazer justiça com as próprias mãos. Américo António, chefe da zona de Muezia, falou sobre a alegada falta de transparência no processo de levantamento das famílias que seriam compensadas em virtude da destruição das suas casas, existindo alguns cidadãos cujas machambas foram pura e simplesmente excluídas pelo pessoal encarregue de efectuar o trabalho de registo de propriedades.

Compensação no CDN gera polémica

Está instalado um clima de tensão entre as famílias afectadas no processo de compensação no âmbito do reassentamento da população que se encontra num raio não acima dos 15 metros da linha férrea ao longo do Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN) e a empresa Vale Moçambique, concessionária da linha, devido à falta de transparência em todo um conjunto de promessas acordadas no acto do estudo. A população sente-se lesada e ameaça protagonizar actos de sabotagem das actividades em curso.

De acordo com os visados, depois do estudo feito pela empresa China Railway Corporation Group, com recurso a equipamento pesado, as suas culturas alimentares nas hortas abertas na presente campanha agrícola estão a ser destruídas sem um pré-aviso e antes das anunciadas compensações, não havendo outra alternativa para a sobrevivência das famílias afectadas. Por outro lado, os queixosos denunciaram, igualmente, que, para além do perímetro de 15 metros acordados no acto do estudo, estão a ser devastadas terras numa área de cerca de 100 metros de raio, onde algumas residências também não foram poupadas.

Armando Siveleque, um dos cidadãos abrangido pelo processo, residente no posto administrativo de Mutuali, distrito de Malema, em Nampula, disse que foi forçado pelos fiscais a aceitar o valor estimado em 19 mil meticais, alegadamente em compensação pela destruição da sua residência com dimensões de sete por cinco metros. Mas este discorda, afirmando que o montante não corresponde aos custos reais da sua edificação. “Ainda não recebi o dinheiro, só me foi dado uma senha que faz menção de que terei o valor de 19 mil meticais e não sei com que base fizeram os cálculos”, disse agastado.

O nosso entrevistado denunciou, igualmente, o facto de alguns fiscais se envolverem em esquemas fraudulentos, comprando casas nas redondezas muito antes do estudo, e, chegado o período das compensações, cujos valores rondavam 400 mil meticais, estes foram os primeiros a beneficiarem das indeminizações. Siveleque disse ainda que existem alguns fiscais que têm vindo a cobrar valores na ordem de 100 mil meticais para facilitar o acesso a compensações chorudas.

Sobre este facto, o @Verdade apurou que alguns funcionários da mineradora brasileira têm estado a vender informações sobre os locais estratégicos por onde a linha férrea, ora em construção, passará a indivíduos que, posteriormente, obrigam os habitantes a cederem os seus espaços mediante o pagamento de valores que variam entre sete mil e 20 mil meticais. O objectivo por detrás dessa iniciativa é obter indemnizações estimadas em mais de 300 mil meticais por parte da Vale Moçambique.

De acordo ainda com Siveleque, devido à morosidade no processo de compensação, a população vive num mar de incertezas e receia que todas as pessoas envolvidas no processo não venham a receber o dinheiro a que têm direito. “Tentámos por várias vezes contactar os fiscais com o intuito de nos inteirarmos do pagamento prometido, mas eles dizem que tudo depende dos chefes. Eles forneceram- nos números de telefone, mas quando os contactamos não recebemos respostas satisfatórias”, lamentou.

Os cemitérios não escapam

Paralelamente à compensação pela perda dos terrenos das populações que se encontram ao longo da linha férrea do CDN, decorre o processo de destruição de alguns cemitérios e da exumação de corpos que jazem nos locais a que nos referimos. No âmbito das obras em curso na ferrovia do CDN, foi, igualmente, contratada a Agência Funerária Deus, sediada na cidade de Nampula, para que proceda à exumação de corpos nalguns cemitérios que se encontram ao longo da linha, seguindo os mesmos trâmites relativos a compensações.

O coordenador da funerária, identificado apenas por Izidine, confirmou ao @Verdade que uma equipa da sua empresa já se encontra desde o dia 31 de Maio, na vila sede de Monapo, onde os trabalhos de exumação de corpos irão decorrer. Mas o mesmo ainda não aconteceu devido à ausência duma empresa denominada Diagonal, subcontratada pela Vale Moçambique, no âmbito da fiscalização destas obras.

Izidine não especificou o número de cemitérios até aqui identificados, tendo apenas precisado que todos os que se encontram ao longo da área abrangida serão removidos. O gestor da Agência Funerária Deus assegurou que, durante a realização destes trabalhos, serão acautelados todos os rituais tradicionais. Para o efeito, já foi criada uma equipa multissectorial constituída por líderes comunitários, pessoal da Saúde, agentes da Polícia da República de Moçambique e funcionários da administração local.

“Já foi feito um mapeamento de todos os locais a serem abrangidos. A instrução que temos é a de levar as ossadas para depositá-las num outro lugar, nas mesmas condições encontradas, o que, eventualmente, pode levar a que se construam campas num espaço já com vedação, entre outras condições a serem acordadas com os familiares”, sublinhou. O nosso interlocutor distanciou-se do processo de compensação, tendo afirmado que a sua agência só foi contratada para a exumação de corpos e transferi-los para locais seguro.

“A culpa é dos chineses”

A China Railway Corporation Group, empresa chinesa contratada pela Vale Moçambique, no âmbito da reabilitação da linha férrea no Corredor de Nacala, deverá responsabilizar- se, o mais rápido possível, pelo pagamento das compensações aos camponeses da região de Muezia, em Nampula-Rapale, cujos campos de produção foram destruídos há cerca de duas semanas.

Em comunicado enviado à nossa Redacção, a Vale Moçambique refere que, em função da execução do projecto da linha férrea, algumas famílias, dentro da faixa de segurança da ferrovia, são indemnizadas no processo de compensação antes do início das obras. No caso específico de Muezia, foram afectadas áreas fora da faixa de segurança da linha pela empresa contratada pela Vale, prejudicando campos agrícolas da população.

O comunicado sublinha que, por se tratar de uma acção indevida, as populações proprietárias dessas zonas serão devidamente compensadas pela China Railway Corporation Group num breve espaço de tempo. Refira-se que as comunidades de Naculue e Manquilina contam com cerca de 900 habitantes que, directa ou indirectamente, estão abrangidas pelo projecto de reconstrução da linha férrea e poderão enfrentar uma crise de fome, na sequência da destruição dos produtos alimentares, parte dos quais em fase de colheita.

As obras não param

Apesar do litígio que faz com que a multinacional Vale e a população de Muezia estejam de costas voltadas, as obras de reabilitação da ferrovia a cargo da empresa China Railwaiy Corporation Grupo estão a ganhar forma no terreno, onde decorrem, também, actividades de desbravamento, terraplanagem, entre outras. Mais de 70 porcento do equipamento que será utilizado na empreitada já se encontram nos respectivos locais por onde vai passar a linha, com destaque para os dormentes e as vigas que estão a ser fabricados no país.

Paralelamente a estas acções, foi reactivado o funcionamento da pedreira de Cuamba que deverá fornecer pedras ao projecto, para além da conclusão de construção de centrais de betão. No território malawiano, as obras compreendem a construção de 138 quilómetros de linha e a reabilitação de outros 99 para ligar Moatize, em Tete, à região de Lagos, no Niassa.

A edificação da linha férrea para o escoamento do carvão mineral, ligando a zona mineira de Moatize a Nacala-a-Velha, compreende uma extensão de 912 quilómetros, e espera-se que entre em funcionamento em Setembro do ano em curso. A construção desta ferrovia deve- se ao facto de a de Sena, que liga Moatize ao porto da cidade da Beira, na província de Sofala, não conseguir responder à demanda de escoamento de minerais a partir de Tete.

Com a conclusão da linha de Nacala, espera-se a circulação de 20 comboios diários de transporte e escoamento de carvão de Moatize a Nacala-a-Velha. De acordo com as projecções, com a entrada em funcionamento da nova via- -férrea, a capacidade de escoação irá aumentar dos cerca de 11 milhões de toneladas anuais para cerca de 13 milhões em 2015.

A Vale, os Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), o Corredor de Desenvolvimento do Norte e outros accionistas concessionários desta importante infra-estrutura pretendem assegurar que haja uma capacidade de escoamento superior a 11 milhões de toneladas anuais até finais de 2015. Para o efeito, serão realizados investimentos para a expansão da linha de modo que se possa atingir 13 milhões de toneladas até 2015 e chegar-se a 18 milhões em 2017.

O porto de Nacala-a-Velha, actualmente em construção, terá capacidade para manusear 18 milhões de toneladas de carvão mineral anualmente e cerca de cinco mil toneladas de embarque por hora. Refira-se que a construção da linha férrea que liga Moatize a Nacala visa criar uma alternativa de escoamento do carvão mineral produzido na província de Tete que, presentemente, é feito através da ferrovia de Sena.

Matéria de 19 de junho de 2014 do Jornal Verdade

Link: Sempre a Vale Moçambique…

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Vale estuda investir em Moçambique junto com o Japão

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, informou nesta sexta-feira, 1, que a empresa estuda fazer investimentos conjuntos com o Japão em Moçambique. O projeto diz respeito à construção de uma ferrovia com 912 quilômetros de extensão e um porto de água profunda em Nakala.

“Estivemos com o primeiro-ministro em janeiro em Maputo e isso vai significar investimentos importantíssimos, especialmente na ferrovia do corredor de Nakala”, afirmou, durante encontro entre o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e gestores brasileiros e japoneses, promovido em Brasília pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo Murilo, após a conclusão das obras, Moçambique deixará imediatamente de ser um importador de alimentos para se tornar exportador. Durante o evento, o gestor também afirmou que está avançada a parceria entre Brasil, Japão e Canadá, com a participação da Vale, na área ferroviária. O projeto faz parte de um acordo entre Vale e Mitsui.

“Essa parceria significa investimentos nos próximos cinco anos de R$ 9 bilhões. Esses investimentos já estão bastante adiantados com a aquisição de 210 locomotivas e 7.500 vagões”, disse.

Matéria do Estadão de 01/08/2014, retirada do site da UOL.

Link: Vale estuda investir em Moçambique junto com o Japão

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

FHC fala da Privatização da Vale do Rio Doce

Você sabia que a VALE foi amortizada (taxa de retorno) em 3 meses?
E veja qual foi a justificativa para a sua privatização “O problema da VALE DO RIO DOCE é que ela era limitada em sua expansão pelas regras da burocracia” FHC, Vulgo Fernando Henrique Cardoso.
(Via: Em Defesa dos Territórios Frente a Mineração)

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

O modelo neoextrativista e o paradoxo latino-americano. Entrevista especial com Bruno Milanez

“A proposta do novo código mineral não é uma ‘novidade’ brasileira; nós simplesmente copiamos (com algum atraso) outros países da América Latina”, pontua o engenheiro.

O momento econômico denominado “pós-neoliberal”, evidenciado na América Latina, é caracterizado pela “chegada ao poder de governantes ditos progressistas que buscariam, em algumas áreas, uma ruptura com algumas das premissas do período neoliberal como, por exemplo, aquelas relativas ao papel do Estado”.

Contudo, o atual momento político e econômico “pode ser caracterizado pela continuidade de outras políticas do período anterior; entre elas a busca de uma maior inserção no mercado internacional”, adverte Bruno Milanez em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail.

Neste cenário em que há uma disputa para evidenciar se houve mais mudanças ou continuidades, a pauta da mineração é central para perceber o que o engenheiro denomina de o ‘paradoxo latino-americano’. De acordo com Milanez, a mineração tem sido responsável pela “inserção” dos países latino-americanos no cenário internacional e, no caso do Brasil, contribui para equilibrar a balança comercial. Por outro lado, agravam-se as implicações sociais e ambientais. “O impacto mais óbvio é a destruição da paisagem e o deslocamento compulsório das pessoas. Como os projetos precisam ser de grande escala para serem competitivos internacionalmente, eles vêm se implantando no interior do país, logo, muitas comunidades rurais são removidas de suas propriedades. Além disso, a extração e o beneficiamento exigem quantidades significativas de água, o que gera ainda mais conflitos”, pontua.

De acordo com Milanez, o Estado “é um dos principais agentes de estímulo à extração de recursos naturais que são destinados ao mercado internacional”. Ao mesmo tempo, enfatiza, “esses governos legitimam a necessidade da extração mineral, afirmando serem eles condições para investimentos sociais. (…) No Brasil, se promete usar os royalties do petróleo para financiar a educação. Esse mecanismo tem sido chamado por alguns autores de ‘paradoxo latino-americano’; o Estado estimula atividades concentradoras de renda e geradoras de desigualdades sociais, arrecada mais recursos e, com eles, compensa as pessoas prejudicadas por tais atividades”.

Na entrevista a seguir, Milanez também comenta o novo código da mineração, que ainda está em tramitação no Congresso Nacional. Na avaliação dele, “o problema principal é que a proposta do novo código somente olha para o subsolo; os tecnocratas que propuseram esse projeto parecem ter esquecido que há pessoas vivendo em cima do minério”. E conclui: “Por exemplo, quando o último substitutivo do projeto de lei (divulgado em 08 de abril de 2014) fala em ‘áreas livres’, ele se refere a áreas que ainda não foram solicitadas para extração mineral. Em outro artigo, o substitutivo define que ‘a criação de qualquer atividade que tenha potencial de criar impedimento à atividade de mineração depende de prévia anuência da Agência Nacional de Mineração – ANM, órgão a ser criado pelo novo código. Se isso for aprovado, o setor mineral vai ter o poder de impedir a criação de novas unidades de conservação, a demarcação de terras indígenas e, mesmo, a definição de áreas de captação de água para abastecimento humano”

Bruno Milanez é graduado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre em Engenharia Urbana pela Universidade Federal de São Carlos e doutor em Política Ambiental pela Lincoln University. Leciona na Universidade Federal de Juiz de Fora.

Entrevista completa acessar: http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/533720-o-modelo-neoextrativista-e-o-paradoxo-latino-americano-entrevista-especial-com-bruno-milanez

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Extração de ferro em alta e empregabilidade em baixa em Parauapebas/PA

Carajás

O sol causticante e o calor escaldante que, nesta época do ano, faltam fritar os miolos de quem mora no Sudeste Paraense foram uma mão na roda para os negócios da mineradora Vale. É que, entre outros fatores, devido às condições climáticas, a mineradora apresentou excelente desempenho operacional nas minas de Serra Norte, localizadas no município de Parauapebas, e das quais a empresa retira o melhor minério de ferro do mundo, com teor de hematita que chega a 67%.
É o que diz o “Relatório de Produção 2T14″, divulgado pela Vale na manhã desta quinta-feira (24). O documento, recheado de dados técnicos, é uma fonte inesgotável de informações sobre as perspectivas e os rumos que toma a economia dos municípios que compõem a região de Carajás, notadamente os que dependem exclusivamente da indústria extrativa mineral, como Parauapebas e Canaã dos Carajás.
Ele esmiúça as operações da mineradora em projetos como o Ferro Carajás (minério de ferro) e Mina do Azul (manganês), em Parauapebas; Sossego (cobre), em Canaã dos Carajás; e Salobo (cobre), em Marabá. E pode ser útil a gestores públicos atentos, parlamentares realmente sintonizados com questões socioeconômicas de suas regiões, ambientalistas e entidades de classe, já que, por anunciar com pompa e circunstância que a produção aumenta, deixa lacunas sobre a diminuição da vida-útil do minério, bem como sobre os passivos sociais históricos no vai e vem do trem da Estrada de Ferro Carajás.

SÍNTESE
De acordo com dados do relatório, a produção da Vale no primeiro semestre de 2014 foi de 150,5 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro, superando o mesmo período de 2013 em 15,1 Mt. A Vale quer mais, muito mais. Sua ambiciosa meta é produzir ao longo deste ano um total de 312 Mt da commodity minério de ferro, uma quantidade de metal suficiente para soterrar (ou ‘soferrar’?) um bairro inteiro do tamanho do Rio Verde, em Parauapebas.

OPERAÇÕES EM PARAUAPEBAS
Serra Norte produz 35% do minério de ferro da Vale

Nenhuma das operações da Vale no Brasil, em termos de minério de ferro, foi tão feliz no primeiro semestre quanto o Sistema Norte, encabeçado pelas minas de Parauapebas. O agrupamento de “enes” (N4W e N4E mais N5) foi mal das pernas no primeiro trimestre do ano, produzindo 23,4 Mt, mas nos últimos três meses deu a volta por cima e cravou 29,3 Mt de minério de alto teor, um crescimento de 25,3% no período.
A quantidade de minério de ferro extraída pela Vale em Parauapebas no primeiro semestre deste ano, no total de 52,65 Mt, também coloca no chinelo a produção do ano passado no mesmo período, que foi de 43,51 Mt. É um incremento de 21%, o que, na prática, credencia Serra Norte a ter sua produção máxima ampliada dos atuais 110 milhões de toneladas por ano (Mtpa) para 150 Mtpa, por meio do projeto Adicional 40 Mtpa e, principalmente, da expansão da Capacidade Logística Norte (CLN 150 Mtpa).
No caso do manganês, extraído da Mina do Azul, também em Serra Norte, houve aumento na produção física do segundo trimestre (370 mil toneladas métricas) em relação ao primeiro (332 mil t), dado o uso de produtos recuperados das barragens de rejeitos. Contudo, foi registrada queda de produção na ordem de 17,7% no primeiro semestre (701 mil t) deste ano no confronto com o mesmo semestre do ano passado (853 mil t). A Vale justifica a retração argumentando que uma manutenção de 15 dias nas dependências da mina diminuiu o ritmo de produção.

EXPORTAÇÕES
Na esteira da produção de minérios, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou o resultado da balança comercial brasileira por município, e lá está Parauapebas, ostentando primeiro lugar em exportação, com 4,28 bilhões de dólares (US$) vendidos em minérios, e primeiro lugar, também, em superávit, com US$ 4,23 bilhões de crédito à conta da Nação. Assim, Parauapebas se sagra, mais uma vez, em meio ao universo de 2.187 municípios exportadores.
O valor das exportações de Parauapebas nos primeiros seis meses deste ano é, no entanto, menor que o apurado no mesmo período do ano passado.
Mas como Parauapebas pode ter vendido menos em dólar em relação a 2013, se produziu e vendeu milhões de toneladas de minérios a mais este ano? A explicação reside na oscilação do preço comercial do minério de ferro, principal commodity de Parauapebas e que responde por 95% das exportações – o resto é manganês.
Nessa cirada, em que a China é a maior compradora do produto parauapebense e em função da qual os preços praticados giram, a “Capital do Minério” exportou cerca de US$ 250 milhões a menos no comparativo com 2013, mas ainda assim se manteve no topo das exportações.

EMPREGOS
Diferentemente dos números bonitos e animadores que florescem e saem de trem das montanhas de ferro ao norte de Carajás, na área urbana de Parauapebas o número de empregos despenca serra abaixo. O contraste interno fica evidente quando todos os dados do primeiro semestre deste ano – da Vale, do MDIC e do Ministério do Trabalho e Emprego – são cruzados.
Conforme os balanços mensais do MTE, o buraco é muito mais em baixo em Parauapebas, para além do que as máquinas que mineram ferro vão deixando. No primeiro semestre deste ano, 14.152 trabalhadores parauapebenses foram despachados, com ou sem justa causa, sendo que apenas 1.951 arranjaram o primeiro emprego.
É um dado lamentavelmente impressionante para um município que, até 2012, batia sucessivos recordes de admissão e de novos contratos de trabalho. Além disso, com os serviços de mineração cada vez mais especializados e com a concorrência direta – e desleal – com Canaã dos Carajás, onde a Vale centraliza esforços e atenções, não há, previsto para este ano, um centavo de real para novos negócios na indústria extrativa com base em Parauapebas.
Por outro lado, se cada fração de minério encontrada e explotada pela Vale fosse dada a um habitante de Parauapebas, cada cidadão ajuntaria 1.580 quilos diários de minério de ferro de excelente teor para vender e, com base nos preços cotados no mercado internacional, seria possível a cada parauapebense abrir um conta para receber, no mínimo, 128 dólares por dia.
Como “bolsa minério” e “pegadinha do malandro” equivalem-se, e como a população municipal não para – nem vai parar – de crescer, muito embora já tenha aumentado a taxas maiores no passado, os desafios são muitos para quem ainda chega atrás de oportunidade, bem como para quem já está e precisa agarrar-se ao que até aqui conseguiu.
O contrassenso entre o aumento da produção de minérios, que é preferível celebrar, e a diminuição de empregos, que é preferível ocultar, é apenas um dos motores que fazem pulsar o acirramento das desigualdades sociais em paraísos de prosperidade despreparados para a exaustão de uma única matriz econômica.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar                  Publicado em: 25/07/2014
Foto: Arquivo

 

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

22 de julho – Dia Mundial Contra a Mineração

“Diremos alto e claro através de nossas atividades, manifestações, comícios, festas, NÃO à poluição da mineração, NÃO ao uso de tóxicos que poluem nossas águas, ar e solo, NÃO a mega-minas que geram a cada ano centenas de milhões de toneladas de resíduos tóxicos, cujo impacto destrutivo é medido em séculos, NÃO para a mineração a céu aberto que afeta nossos ecossistemas, áreas agrícolas, devasta as nossas florestas, derrete nossas geleiras, e causa doenças incuráveis. NÃO as minas subterrâneas que brotam das entranhas da terra elementos radioativos, tóxicos e cancerígenos, NÃO à violência, a pobreza e a desigualdades que acompanham a extensão infinita das “zonas de sacrifício”. NÃO a ganância de lucro, o produtivismo extremo e ao consumo desenfreado que nos fazem acreditar que não há alternativa.
NÃO A MEGAMINERAÇÃO!”

10500371_739383126109654_1668867838862238321_n

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized